Diretor da NBA Academy Latin America, Walter Roese fala da carreira e família

19.05.2020   |   Entrevistas
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Walter Roese vem de uma família que respira o esporte, com representantes na elite de três modalidades: basquete, vôlei e tênis. Dois dos seus irmãos fizeram carreira no vôlei. Paulo foi jogador do Banespa e da Seleção Brasileira. Heloísa jogou em times do Rio Grande do Sul. Já seu primo, Fernando Roese, foi um grande tenista do país, vencendo o ouro no torneio de simples nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987.

Divulgação/CBB

Com carreira dedicada ao basquete, Walter nasceu no Rio Grande do Sul e tem vasta experiência em categorias de base e basquete universitário. Morando nos EUA há quase 30 anos, trabalhou como assistente-técnico na NCAA em universidades como Brigham Young (Havaí), San Diego e Nebraska. Como treinador, liderou a Universidade do Havaí e o Brasil nas Universíades de 2007 (Tailândia), 2009 (Sérvia) e 2011 (China). Além disso, sagrou-se vice-campeão da Copa América dirigindo a Seleção Brasileira Sub-18, quando o País perdeu dos EUA na decisão por 81 a 78. Atualmente, é o diretor técnico da NBA Academy da América Latina, na Cidade do México.

Roese bateu um papo com a CBB sobre a carreira e o seu momento ao lado do projeto da Liga Americana. Confira abaixo:

Sua família é recheada de esportistas e respira o esporte. Era impossível fazer outra coisa que não fosse amar isso também, certo?

Realmente, vim de uma família de atleta. Começou com a cultura dos meus pais, que foram atletas. Meu pai na Seleção Gaúcha. Gostavam muito de esportes e incentivavam muito. Isso é muito importante, ainda mais vindo dos pais. Na minha família, eu tive esse exemplo também dos meus irmãos. Eu, sendo o caçula, via o sacrifício e disciplina deles. Me ajudou muito. Tem muito a ver com o ambiente que você cresce. Se você cresce em um ambiente de atletas, sua chance cresce bastante. O amor pelo esporte é muito maior. Vemos muitos treinadores, seus filhos, jogando. Filho de médico na medicina. O esporte, o basquete, faz parte da minha vida desde os sete anos de idade. Só tenho a agradecer, ter gratidão por tudo que me proporcionou. E aos poucos eu tento devolver de algum modo para esse esporte que foi tão maravilhoso para mim. O esporte está no sangue de toda família Roese.

Divulgação/CBB

Acha que as universidades brasileiras poderiam seguir os passos das americanas, com times e ligas fortes?

Eu acredito que tudo pode ser feito, desde que seja feito de acordo com a realidade do nosso país. Teve uma época que diversas universidades entraram no basquete e estava pensando que seria uma forma excelente de começar, tem uma identificação com a universidade. Sou a favor de acompanhar o estudo com o esporte. A carreira do atleta um dia vai terminar, e o estudo é muito importante. O Brasil tem de tudo para fazer de uma forma bem organizada o basquete universitário. Tive o prazer de participar em três Universíades como treinador e eu sei o quanto é fantástico e importante esse pessoal envolvido no esporte. O basquete tem muito a ganhar.

Sente saudade da época de técnico na quadra mesmo? Ou foi uma transição natural?

Na NBA Academy Latin America o nosso objetivo é desenvolver o atleta e dar ferramentas para que ele tenha opções de quando acabar um high school, colegial, escolher entre jogar ou ir para uma universidade. Eu continuo na quadra, participando de treinos. Nos jogos eu sou o treinador principal. Continuo com o head coach. O título de diretor técnico, é que sou o responsável pela academia, mas também sou o treinador. Participo de escolha de atletas, scout, mas estou na quadra diariamente. Tenho excelentes profissionais comigo, que fazem a parte individual de cada jogador pela manhã, somos uma comissão técnica que trabalha junto. Sinto saudades do basquete universitário, foi algo que sempre gostei muito, prazer e sorte de participar e trabalhar em grandes universidades. Sinto falta de ginásios com 20, 25 mil pessoas, mas meu trabalho na NBA Academy é gratificante porque tivemos cinco atletas que acabaram o colegial com a gente e receberam bolsas de estudos para irem aos EUA. É importante ver que você está ajudando a realizar o sonho desses atletas, desenvolvendo jogadores, pessoas, estudantes. O objetivo é que os meninos saiam da melhor forma possível e que tenham maior chance de sucesso na sequência das suas carreiras.

Qual momento marcante na sua trajetória no basquete você gostaria que as pessoas se lembrassem?

A minha trajetória, não tem um ponto que gostaria que se lembrassem, como esportista, que vai falar, esse é o Walter Roese. Todo o dia sou abençoado por estar envolvido com o basquete. Lembro desde o mini basquete que eu jogava, com meus treinadores, os títulos que participei como treinador, minha primeira seleção brasileira como assistente, depois como treinador. as Universíades que eu fui. São várias alegrias. Tudo que você faz com amor, não tem um momento só. Se tivesse uma coisa que pudesse um dia, quando chegar a hora, quem foi o Walter Roese, é que foi o cara que tentou ajudar o basquete e ajudou vários jogadores a percorrerem o sonho deles. Tive o prazer de ajudar alguns atletas a crescerem na quadra com o basquete e como pessoa. Gosto de trabalhar com o atleta entre 15 e 22 anos, que acho que é a idade em que você está em formação ainda, então, tenho vários atletas que foram para o exterior, fizeram uma carreira, pegaram o diploma universitários, é um legado que eu gosto, ver um ex-jogador meu. Tentar sempre ajudar os outros de alguma forma. Como tiveram pessoas que me ajudaram e me mostraram o caminho das pedras. Gosto de mostrar opções. Quem tem esse oportunidade e consegue, é mérito totalmente deles. Tudo que tenho hoje, é graças ao basquete. Amo o que eu faço. Se vou me aposentar. Tu não se aposenta de algo que faz por amor. Não considero o basquete um trabalho.

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