25 anos do Mundial Feminino: Vibrei e chorei sozinho na madrugada! Depois, comemorei bastante...

12.06.2019   |   História
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Foto: Arquivo CBB

Por Frederico Batalha

Bom, vou fazer um pequeno esforço de memória para lembrar uma das conquistas mais importantes do basquete nacional: o Campeonato Mundial de 1994, na Austrália, quando o selecionado nacional feminino encantou o mundo e chegou ao lugar mais alto do pódio com muitos méritos. Até porque, a conquista veio com vitórias sensacionais e fenomenais, contra grandes potências do cenário internacional, tais como Estados Unidos, Espanha, Cuba e China.

É verdade que o momento era de incerteza e a Seleção Brasileira Feminina seguiu para esta competição um pouco desacreditada. Lembro muito bem que vários – talvez, a maioria – colegas jornalistas desconfiavam da comissão técnica liderada pelo técnico Miguel Ângelo da Luz. Eu, diferente, tinha aquela pontinha de otimismo, sentimento esse que ganhei na Copa América de 1993, disputada em São Paulo (SP), quando o Brasil realizou uma bela campanha e acabou perdendo a decisão para o time norte-americano.

Essa competição continental foi, realmente, muito importante na minha carreira, já que se tratou da primeira internacional que cobri. Vale a lembrança que trabalhava na Rádio Anchieta, de Itanhaém (SP), que tinha Odinei Ribeiro, narrador que hoje brilha na Globo/SporTV, como comandante da equipe, e Edson Sobral, que segue morando na cidade do Litoral.

O Campeonato Mundial foi disputado na longínqua Austrália e, com isso, apareciam os primeiros problemas: a diferença no fuso horário, sem falar que a Internet não tinha atingido o status de hoje e não era tão utilizada. Na primeira fase, a Rede Bandeirantes, que fez a cobertura exclusiva para o nosso País, não esteve em Launceston, então, se o Brasil ficasse de fora logo na etapa inicial, não veríamos nada do Mundial.

E, mais uma vez relembrando que a Internet não tinha a força de hoje, para conseguir os resultados do Brasil era uma tarefa árdua. Mas, voltando à Copa América, quando fiz uma boa amizade com Miguel Ângelo e sua esposa Mônica, passei a ter os resultados certinhos ligando para a mulher do técnico, residente no Rio de Janeiro (RJ), pois ele se comunicava com ela sempre ao final de cada partida.

E assim foi a primeira fase, o selecionado nacional fez uma campanha dentro das perspectivas e avançou à etapa seguinte: vitória tranquila na estreia sobre Taiwan (112 a 83), derrota para Eslováquia (88 a 99) e a reabilitação contra a Polônia (87 a 77). Com estes resultados, o Brasil se garantiu na segunda fase, quando novamente conseguiu êxito.

Abriu a etapa vencendo a velha rival Cuba (111 a 91), depois veio uma derrota para a China (97 a 90) e a recuperação contra a forte Espanha (92 a 87). Com esses placares, mais uma etapa estava cumprida, conforme o planejado pela comissão técnica, que contava ainda com o assistente Sérgio Maroneze Duarte, Hermes Balbino (preparador físico), Marli Kecorius (médica), Marisa Lebeis (fisioterapeuta), José Pedro Felício (massagista – in memorian), Waldir Pagan Perez (supervisor – in memorian) e Raimundo Nonato (chefe da delegação). Ah, não posso esquecer o assessor de imprensa, meu amigo Sérgio Barros.

A semifinal contra os Estados Unidos foi um jogo que nem o mais frio dos seres humanos conseguiria assistir sossegado e sentado... lembro que terminei de pé, muito emocionado, pois aquela vitória por 110 a 107 demonstrava que o lugar mais alto do pódio poderia ocorrer de fato.

Por fim, na decisão, novamente as chinesas, da gigante Zheng Haixia, que bateram o time brasileiro na fase inicial do Mundial. Neste jogo, fiquei maravilhado com a atuação da ala/pivô Leila Sobral, que foi uma verdadeiro gigante na briga de garrafão, assim como a Alessandra.

Bom, não tenho palavras para comentar sobre o que fizeram Paula, Hortência e Janeth neste Campeonato Mundial. Fica difícil transmitir em poucas linhas tudo o que elas jogaram e produziram dentro de quadra. Enfim, ao final do jogo, quando o placar apontava 96 a 87, eu estava me sentindo orgulhoso por ser brasileiro e feliz pelo feito magnífico destas guerreiras e guerreiros.

A classificação final do Mundial da Austrália foi esta: 1º- Brasil; 2º- China; 3º- Estados Unidos; 4º- Austrália; 5º- Eslováquia; 6º- Cuba; 7º- Canadá; 8º- Espanha; 9º- França; 10º- Coréia do Sul; 11º- Itália; 12º- Japão; 13º- Polônia; 14º- Taipé; 15º- Nova Zelândia; e 16º- Quênia.

Depois do título, muita festa: a primeira no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos (SP), que acompanhei. Nessa hora, as jogadoras e comissão revelaram a letra de um samba que elaboraram durante a viagem. O grande autor foi o colega Serginho Barros:

 

Miguel da Luz e Sergio Maroneze

Vão cortando um dobrado,

Pra que o Brito não se enfeze


Me diga quem?

Raimundo Nonato

Levando essas feras para o campeonato


Marisa, Hermes, “Doutora Marli”,

Zé da Banheira e o grande professor Waldir


Helen, Roseli, Leila

Ruth, Simone, Adriana e Dalila


Lá vem Tuiú!


Alessandra e Cíntia, ô!

Os nossos coqueiros vão brilhar

Vai Janeth, disparando, pronta pra marcar


A rainha mais audaz, é sensação

Show de graça e precisão

Hortência explode coração!


Encanto e magia, chegou!

Faz a finta, arremessa, ponto!

Cada assistência um brilho de esplendor,

Seu nome é Paula (Aplausos)


Aplausos, ao time inteiro,

Tem canguru

Virando brasileiro


(Me leva) me leva que eu vou, seleção

Tô indo pra Austrália eu quero voltar campeão

 

A segunda comemoração, em grande estilo, foi na badalada boate "Banana Banana", localizada no suntuoso bairro do Jardim Europa, em São Paulo (SP), com a presença de todos os campeões. Lá pude rever cenas maravilhosas da conquista, fazer várias entrevistas e, por fim, tomar uma cerveja com os amigos Miguel Ângelo, Sérgio, Hermes e o saudoso Pagan...
 

 

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