Primeira Academia de Desenvolvimento da NBA na América Latina tem Walter Roese no comando técnico

11.05.2018   |   Treinadores
Compartilhe Facebook Twitter

A NBA inaugurou no último mês de março, na Cidade do México, a NBA Academy Latin America, uma das inciativas da liga para desenvolver jovens talentos tanto dentro quanto fora das quadras. Austrália, China, Índia e Senegal também já possuem esse tipo de academia.

E o Brasil está muito bem representado nesse projeto. O ex-jogador e, desde 2000, treinador Walter Roese, de 51 anos, é o Diretor-Técnico e coach na primeira Academia de Desenvolvimento da NBA na América Latina.

Nascido no Rio Grande do Sul e com vasta experiência em categorias de base e basquete universitário, Roese mora há 27 anos nos Estados Unidos e trabalhou como assistente-técnico na NCAA (principal liga norte-americana de basquete universitário) em universidades como Brigham Young (Havaí), San Diego e Nebraska. Como treinador liderou a Universidade do Havaí e o Brasil nas Universíades de 2007 (Tailândia), 2009 (Sérvia) e 2011 (China). Além disso, sagrou-se vice-campeão da Copa América dirigindo a Seleção Brasileira Sub-18, quando o País perdeu dos EUA na decisão por 81 a 78. Atualmente, é scout (olheiro) do Utah Jazz e um dos técnicos do Eurocamp Next Gen, evento que reúne promessas do basquete, principalmente da Europa.

 

Confira abaixo a entrevista que fizemos com Roese falando sobre essa nova fase em sua carreira:

Você pode explicar melhor como funciona essa Academia da NBA? Quais são os objetivos?

Walter Roese - A NBA decidiu há algum tempo ajudar algumas regiões a desenvolverem talentos dentro e fora das quadras. Hoje a NBA possui academias na Austrália, China, Índia, Senegal e México. A academia do México será responsável para toda a América Latina. O objetivo principal é dar ferramentas para esses atletas, de diversos países latinos, terem as condições necessárias de estudar e jogar no basquete universitário americano. Na Academia da NBA Latin America, nossos atletas têm aulas particulares de Inglês e Espanhol (para os brasileiros) e fazem aulas que a NCAA indicou para eles. Nós encorajamos nossos atletas a serem estudantes/atletas e também a participarem de torneios da FIBA representando seus países.

 

Como você chegou nesse projeto?

Walter Roese - Eu já estava trabalhando com o Utah Jazz desde 2014. Em junho de 2017 estava em um evento da NBA nas Bahamas e a oportunidade surgiu. Como latino e treinador, sou muito grato pela oportunidade e confiança das pessoas envolvidas.

 

Quando exatamente foram iniciados os trabalhos dessa academia na Cidade do México?

Walter Roese - A Academia da NBA no México já está sendo preparada há algum tempo, mas como envolve atletas de várias países latinos, acadêmicos, governo e menores de idade, só começamos oficialmente no último dia 9 de marco. A equipe ainda está sendo montada. Já jogamos um torneio em San Antonio, durante a Final Four, e temos um evento na Cidade do México com a participação da Seleção Sub-17 de alguns países. Em julho vamos disputar outro torneio na Austrália. É um projeto fantástico que dará muitas oportunidades a esses jovens atletas.

 

Você levou dois brasileiros para essa academia: o ala-pivô Rodolfo Rufino Bolis, de 1,98m, e o ala-armador Pedro Henrique Rufino Coelho, de 1,96m, ambos de 14 anos. Como você conheceu os dois? Por que decidiu levá-los? Como está a participação deles?

Walter Roese - O Rodolfo eu assisti jogar em São Paulo. Ele estava jogando pelo E.C. Pinheiros, uma grande equipe formadora de talentos, com a Thelma Tavernari, sua treinadora, a qual eu respeito e admiro muito como profissional. Já o Pedro estava no Praia Clube, outro clube que descobre muitos talentos, e escutei falar dele. Avaliando alguns vídeos e conversando com ele e seus pais, tive a certeza de que era um atleta que tem muito a ver com nossos objetivos. A intenção não é competir ou roubar atletas de países ou clubes. Nós estamos proporcionando uma opção. São o atleta e a família que decidem. Iremos dar oportunidade aos que realmente entendem que os estudos são tão importantes quanto o basquete. Temos muitos países com excelente potencial e poucas vagas. Essa semana, dois atletas da Academia da NBA assinaram com duas excelentes universidades americanas e isso mostra que o resultado está sendo positivo.

 

FIBA
Os Wodens!
Topo