Brasileiras se destacam na NJCAA e conquistam o 3º lugar após temporada com 35 vitórias e apenas uma derrota

05.04.2018   |   Promessas
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Três jovens brasileiras se destacaram na última temporada da National Junior College Athletic Association (NJCAA), que reúne mais de 500 escolas de 24 regiões dos EUA. Mariane de Carvalho, Niccolly Ramalho e Duda Alcântara ajudaram a Highland Community College a alcançar o terceiro lugar na NJCAA National Championship. Highland terminou a temporada com 35 vitórias e apenas uma derrota, exatamente na semifinal do Campeonato Nacional. A equipe foi campeã invicta de sua região, no Kansas, com 32 vitórias.

Além de se destacarem nas quadras, as jovens também mandam bem nos estudos. A rotina das três é bem puxada. As aulas tomam toda a parte da manhã e, dependendo do dia, seguem até, no máximo, 14h30. Os treinos variam de duas a quatro horas por dia, dependendo do mês. Na pré-temporada os treinos são mais longos e mais voltados para o condicionamento físico. Quando a temporada começa, a duração dos treinamentos diminui, porém ficam mais intensos. As jovens também fazem academia dois dias por semana, geralmente depois do treino. Quando o treino é à noite, elas estudam de tarde, e vice-versa.

Conheça um pouco mais sobre a trajetória dessas três promessas do basquete feminino brasileiro:

 

Duda Alcântara

Maria Eduarda Alcântara Galvão, a Duda, é pernambucana do Recife e completa 20 anos neste mês de abril. Tem 1,78m e joga como ala-pivô. Seu início no basquete veio por influência da mãe. Quando tinha sete anos, Duda queria ser jogadora de vôlei, mas como a mãe jogava basquete (ainda joga), ela a levou para o Clube Náutico Capibaribe, onde treinava. “Foi aí que eu me apaixonei pelo esporte e não parei mais”, destacou a jovem.

Duda terminou o ensino médio em Utah, na Wasatch Academy, e conheceu Highland por intermédio do treinador brasileiro Julio Pacheco, que a colocou em contato com BJ Smith, treinador de Highland.

Quanto à conquista do 3º lugar na NJCAA National Championship, Duda ressalta que foi uma mistura de sentimentos. “Ficamos muito felizes por ter chegado tão longe e ter feito uma boa temporada, mas por outro lado ficamos tristes porque sabíamos que dava para ir mais longe”.

Segundo ela, todas as partidas das Nacionais foram importantes, principalmente contra Johnson Community College. “Foi contra elas que nossa temporada acabou ano passado. O jogo da final da região foi contra elas e foi maravilhoso sairmos vitoriosas da partida”, festejou a pernambucana.

Duda não tem passagens pelas seleções brasileiras de base, mas diz ter muita vontade de jogar defendendo o seu país. “Deve ser um sentimento muito bom vestir aquele uniforme”, afirmou. Seus ídolos no esporte são Ray Allen, Michael Jordan, Serena Williams e Elena Delle Donne.

Niccolly Ramalho

Niccolly Viscardi Gallo Ramalho é paulistana e tem 20 anos. Com 1,64m de altura, joga como ala/armadora. Começou a jogar basquete quando tinha 11 anos, no Colégio Batista Brasileiro. “Eu não gostava muito do esporte, então costumava fugir das aulas de basquete. Sempre perguntava para o meu professor Ronie Hornos qual seria o esporte do dia na iniciação esportiva. Se fosse basquete eu não aparecia. Até que um dia uma de minhas colegas me prometeu que ela entraria no time de futsal comigo se eu entrasse com ela no de basquete. E foi logo nos primeiros treinos que eu me apaixonei pelo esporte”, contou Niccolly.

A jovem também chegou à Highland pelas mãos do técnico Julio Pacheco, que atua hoje como “head coach” em uma universidade do Estados Unidos. “Ele falou sobre mim com o meu atual técnico, que entrou em contato comigo após assistir um vídeo com algumas de minhas jogadas”, explicou.

Niccolly também celebrou a ótima performance na NJCAA. “Nós fizemos um temporada excepcional. Fomos invictas até a semifinal dos Nacionais. Queríamos muito ser campeãs, mas infelizmente não deu. O terceiro lugar é bastante gratificante”, reconheceu.

De acordo com a camisa 11 de Highland, os jogos contra Johnson County Community College e Labette Community College foram os mais importantes. “JCCC sempre foi rival de Highland e ano passado, no meu “Freshman year”, perdemos três jogos para elas, incluindo a final dos regionais. Então com certeza o time todo estava bem animado para esse jogos”, destacou.

Niccolly também não participou de competições oficiais por seleções brasileiras de base, apenas de fases de treinamentos, mas sonha em jogar na Seleção Adulta. “Com certeza esse sempre foi meu sonho, defender meu país em competições internacionais”. Seus ídolos no esporte são Magic Paula, Kobe Bryant, Candece Parker e Stephen Curry.

Mariane de Carvalho

Mariane Roberta de Carvalho é de Araraquara (SP) e tem 21 anos. Com 1,82 m, atua como ala. O basquete está no sangue de Mariane. A família sempre gostou do esporte e seus irmãos começaram a jogar muito cedo também. “A gente mora bem ao lado do clube Sesi em Araraquara e fazíamos todos os esportes lá. Com 7 anos eu me interessei e comecei minha carreira com o Professor Gil, o mesmo professor do Nezinho, ex-armador da Seleção Brasileira”, lembrou.

A intenção de se aprimorar no basquete e nos estudos levou Mariane à Highland. “Eu estava procurando um jeito de focar nos estudos e conseguir jogar um basquete de qualidade ao mesmo tempo. Seguindo o exemplo de algumas companheiras, resolvi fazer um vídeo com minhas melhores jogadas pela Seleção e pelo ADC Bradesco, meu ex-time em Osasco, e fui convidada a jogar Junior College aqui”, explicou a jovem.

Mariane também destaca uma ponta de frustração pela equipe não ter conquistado o título da NJCAA National Championship. “A gente ficou bem desapontada porque o único jogo que nós perdemos foi a semifinal, mas foi uma boa experiência. O baquete nos Estados Unidos é muito competitivo”, ressaltou.

A jovem também fez questão de lembrar a rivalidade com Johnson County. “Na conferência, nós temos um rival muito forte chamado Johnson County. O nosso time estava muito nervoso, o ginásio estava lotado de pessoas torcendo pela gente e desde o primeiro minuto todas as bolas que a gente chutava caiam”.

Diferentemente de Niccolly e Duda, Mariane já tem uma boa experiência nas seleções brasileiras de base. “Eu joguei o FIBA Américas sub-16 em 2013, conquistando o terceiro lugar. FIBA Américas sub-18 em 2014. Campeonato Mundial sub-17 em 2014 e Campeonato Mundial sub-19 em 2015”, listou.

Apesar de um pouco distante agora, WNBA sempre foi um sonho para Mariane e ela também espera poder voltar a vestir a camiseta da Seleção. “Eu tive uma breve participação na Seleção Adulta, no evento teste para as olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, mas espero um dia ajudar nosso país nas Olimpíadas”.

A jovem não pensou duas vezes na hora de elencar seus ídolos: “Kobe Bryant é um cara no qual eu me inspiro muito, mas a Clarissa da Seleção Adulta, por ter acompanhado os treinos dela quando eu defendia a ADCF Unimed Americana, tem sido minha ídolo também”, concluiu.



 

 

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