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 ENTREVISTAS
09/01/2008 - Camila Gonçalves Lacerda

A ala/armadora Camila Lacerda é um dos destaques da jovem equipe do Botafogo, que disputa o Campeonato Nacional Feminino. O time é formado basicamente por atletas de categorias de base e o objetivo do projeto é dar experiência e visibilidade a esses jovens talentos do basquete. Segundo Camila, a meta está sendo alcançada e o grupo mostra que já evoluiu bastante desde os primeiros jogos, vencendo duas partidas e brigando por uma vaga nos playoffs. Camila é a terceira cestinha do Botafogo com média de 9,8 pontos por partida (118 no total). Aos 18 anos, a jogadora carioca aproveita cada jogo contra os grandes times do Brasil para aprender. Como quando teve que marcar em quadra a ala Iziane, do Ourinhos, um dos seus ídolos no esporte.Para a jovem atleta, experiências como essas ficam para vida inteira e valem tanto quanto qualquer vitória. Caloura da Faculdade de Educação Física, Camila se mostra responsável e organizada para conciliar as competições, treinos, estudos e hábitos normais de uma adolescente, como ir ao cinema e sair para dançar.
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Como analisa a participação do Botafogo no Nacional?

Muito positiva. O objetivo do projeto é ganhar experiência, colocando o time em várias situações de jogo que não enfrentaríamos nas competições de base. Sabíamos que as nossas maiores chances de vitórias eram sobre os times do Rio (Fluminense e Teresópolis). Com a evolução da equipe, conseguimos surpreender e vencer o Florianópolis, o que serviu como motivação para continuarmos trabalhando forte. Independente do placar, o que importa é ganharmos vivência para melhorar técnica e taticamente.

E você acha que esse objetivo está sendo alcançado?

Com toda certeza. Já estamos mostrando uma evolução clara. Cada jogo é um aprendizado novo. Estamos mais concentradas e jogando com mais regularidade a cada partida. É claro que cometemos muitos erros por causa da inexperiência, mas já estamos menos afobadas em quadra e encarando os adversários com respeito e sem medo.

E em quê a equipe melhorou mais até agora?

Evoluímos muito taticamente. Aprendemos a jogar mais cadenciado, no cinco contra cinco. Antes éramos precipitadas e jogávamos na correria. Além disso, crescemos como time, ficando mais unidas e determinadas, aprendendo a observar o trabalho do outro e consciente do papel de cada uma na equipe.

Qual a maior lição aprendida até agora na competição?

Não temer o adversário. É claro que são times superiores tecnicamente e muito mais experientes, mas não podemos ter medo encarar, de marcar uma jogadora conhecida e partir para cima em busca da vitória.

Jogar contra atletas que são ídolos atrapalha o desempenho em quadra?

Confesso que assusta sim. Enfrentar a Iziane, por exemplo, que é uma das melhores jogadoras do Brasil, foi maravilhoso e ao mesmo tempo uma loucura. Quando a vi em quadra, pensei “caramba, vou marcar a Iziane”, e fiquei meio abobada no início. Logo na primeira jogada de Ourinhos, ela matou uma bola de três na minha cara e eu fiz falta. Foi uma bobeira enorme, mas depois a gente vai se acostumando. Marcar uma jogadora como ela é um aprendizado para qualquer atleta.

Qual o maior desafio do Botafogo no Nacional?

Somos um time com jogadoras de todas as categorias, do infanto ao adulto e montar um conjunto é complicado. Além do Nacional Adulto, cada uma atua também na sua categoria. Fazemos vários jogos, treinamos apenas em um período e ainda temos a escola ou faculdade.

Como você administra tudo isso?

É difícil, mas quando você gosta e quer levar a sério, você consegue. Eu sou muito organizada com a minha agenda e consigo administrar todas as minhas atividades. Além disso, conto com a ajuda da minha família, que é maravilhosa. Meus pais sempre apoiaram a minha carreira, o que facilita as coisas para mim.

E, em 2008, você ainda vai ter que conciliar a vida de atleta com a faculdade.

Exatamente. Passei para Educação Física e, com isso, tenho mais um campeonato para participar: o Universitário. É lógico que fica corrido, mas acho muito importante continuar os estudos para me aprimorar e ter uma carreira paralela a de atleta em caso de necessidade. Sempre soube que seria assim, vida de esportista não é normal mesmo, temos que viajar, treinar, ficar longe da família. No final, vale a pena.

Quais seus planos para o futuro?

Claro que eu sonho em chegar à seleção e jogar fora do país, mas por enquanto sair do Brasil não é minha prioridade. Penso em estudar e trabalhar para ter uma profissão que eu possa seguir no futuro. Vou conciliando com a rotina de atleta enquanto puder.

Quando começou no basquete?

Na verdade comecei tarde, com 13 anos, na escolinha do Tijuca Tênis Clube, no Rio. Passei a gostar muito e resolvi seguir a carreira mesmo. Depois do Tijuca, fui para o Finasa/Osasco, em São Paulo, onde fiquei três anos. Agora estou de volta ao Rio, defendendo o Botafogo.

Quem é o seu maior ídolo no basquete?

Magic Paula. Não a vi jogar muito, mas acho que ela é sensacional e foi sempre uma inspiração para mim Meu pai tem um vídeo com a gravação de alguns jogos dela. Eu já vi várias vezes, mas sempre fico admirada com o fantástico talento que ela tem para armar as jogadas. Espero um dia ser um pouco parecida com ela.

Qual é a maior lição de vida que o basquete te trouxe?

Responsabilidade. Com o basquete tive que amadurecer mais rápido. Saí de casa cedo para morar em outra cidade. Tudo isso faz você ver a vida de forma diferente e amadurecer mais depressa. O que aprendemos na quadra sobre superação, vitórias, derrotas e espírito de equipe levamos para a nossa vida cotidiana.

O que você gosta de fazer nas horas de folga?

Dançar, dançar, dançar . Amo sair para me divertir com meus amigos. Tento aproveitar ao máximo o pouco tempo que tenho para curtir. Com responsabilidade, consigo conciliar as tarefas do esporte com as atividades normais de uma jovem de 18 anos.

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