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17/07/2017
15 ANOS SEM BIRA

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No dia 17 de julho de 2002, aos 58 anos, Ubiratan Pereira Maciel morria após cinco meses de luta contra um coma, decorrente de três paradas cardíacas. O Brasil perdia um gigante do esporte, e os amigos e família do jogador perdiam uma pessoa única. Como avô, não viveu o bastante para me ver crescer, mas deixou um legado cujo me orgulha imensamente. Nesses últimos 15 anos sem o “Cavalo de Aço”, o basquete brasileiro rumou para um cenário completamente diferente daquele vivenciado em sua época de atleta. A seleção brasileira atingiu uma escassez de títulos nunca antes vista, chegando ao ponto de ser suspensa pela Federação Internacional de Basquete (FIBA) de todas as competições da entidade até o fim de julho de 2017, devido ao amadorismo das gestões passadas, que afundaram a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) em uma crise sem tamanho.

Em meados dos anos 60, a situação era outra. Ubiratan começava a moldar seu legado, junto a uma safra de atletas única na história do basquete brasileiro, eternizada como a “Geração Dourada”. A seleção brasileira já vinha de duas medalhas olímpicas de bronze (Londres, 1948, e Roma, 1960) e de um título mundial (Santiago do Chile, 1959). Então, em 1961, Bira oficialmente deu início a sua carreira profissional, juntando-se ao Sport Club Corinthians Paulista como pivô titular e sendo mais pra frente convocado para a seleta equipe nacional.

Enquanto, com o pé, o time alvinegro não obtinha glórias, com a mão elas sobravam. Pelo clube, Ubiratan foi cinco vezes campeão paulista (1964, 1965, 1966, 1968 e 1969), três vezes campeão brasileiro (1965, 1966 e 1969), duas vezes campeão sul-americano (1965 e 1966) e vice-campeão mundial (1966). O time composto por ele e as lendas Wlamir Marques, Amaury Pasos, Rosa Branca, Mical, Edvar Simões e outros grandes jogadores foi indiscutivelmente o melhor da história do basquete brasileiro.

Em 1970, Ubiratan foi vendido para o Reyer Venezia Mestre, time italiano da cidade de Veneza, tornando-se o primeiro jogador de basquete brasileiro a defender um clube no exterior. O pioneirismo de Bira nas negociações do basquete brasileiro com os outros continentes provou seu tamanho e importância como um jogador da bola ao cesto.

Com a seleção brasileira, Bira foi campeão mundial (Rio de Janeiro, 1963), vice mundial (Iugoslávia, 1970), medalhista de bronze olímpico (Tóquio, 1964) e cinco vezes campeão sul-americano, além de peça fundamental do time nacional durante grande parte de sua carreira, disputando ainda mais três mundiais (1967, 1970 e 1978), obtendo dois bronzes e uma prata, e mais duas Olímpiadas (México 1968 e Munique 1972).

No fim de sua carreira, ele se aposentou como um dos mais vitoriosos jogadores da história do basquete brasileiro, acumulando títulos coletivos e pessoais lendários. Com inúmeros feitos, só faltava a cereja do bolo para o “Rei do Tapinha”, cujo recebeu essa alcunha devido a sua maestria em encestar a bola com um apenas um toque, durante o salto para o rebote: integrar o seleto grupo do Hall da Fama dos EUA, o Naismith Memorial. O feito só foi alcançado em 2010, logo após ter integrado, em 2009, o Hall da Fama da FIBA, oito anos depois de sua morte. Em uma cerimônia que contou com os nomes de Scottie Pippen, Karl Malone e o galáctico Dream Team das Olímpiadas de 1992 (composto por Michael Jordan, Larry Bird, Magic Johnson e outras lendas da NBA), Ubiratan foi oficialmente eternizado no palco mais importante do basquete mundial.

Ubiratan marcou a vida de muitos atletas e pessoas com quem conviveu. A seguir, entrevistas em vídeo com dois admiradores do atleta: Juca Kfouri e Marquinhos Abdalla. Em uma mão, um dos mais renomados jornalistas esportivos do Brasil, que atualmente trabalha na ESPN, além de escrever colunas para UOL e Folha, fã declarado do atleta. Na outra, um dos maiores jogadores de basquete da nossa história, reconhecido como parte da elite mundial do basquete e grande amigo de Ubiratan. Os entrevistados abordaram o legado do “Cavalo de Aço” e analisaram sua carreira como um todo, com algumas histórias pessoais marcantes e muito especiais.

Texto escrito por: Thiago Maciel

Assista o vídeo de Marquinhos Abdalla falando sobre Bira: