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22/08/2017
23 DE AGOSTO: 30 ANOS DO OURO DO BRASIL EM INDIANÁPOLIS

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Dia 23 de agosto de 1987. Uma data diferenciada na história do esporte brasileiro. Um dia que ficou marcado na história como um dos momentos mais marcantes da Seleção Brasileira Masculina de Basquete. Diante de um público de 16.048 torcedores presentes na Market Square Arena, em Indianápolis, nos Estados Unidos, a equipe comandada por Oscar e Marcel surpreendeu o mundo ao realizar um feito até então inimaginável: vencer os americanos dentro de casa. A vitória de 120 a 115 deu ao Brasil a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos.

“Foi a maior alegria e a maior emoção da minha carreira na Seleção. Ganhar aquela final quando ninguém apostava na gente, depois de irmos para o intervalo perdendo de 20 pontos, virar o jogo, vencer a partida e ser campeão dentro da casa deles, metendo 120 pontos, coisa que nunca havia acontecido. Foi demais! Tenho o maior orgulho de ter participado daquele time, daquele grupo que era uma verdadeira família, companheiros que estavam ao meu lado em histórias maravilhosas e conquistas inesquecíveis”, afirmou Oscar, cestinha da final com 46 pontos.

No Pan de Indianápolis, o Brasil teve seis vitórias e apenas uma derrota. Venceu a seleção do Uruguai, Porto Rico, Ilhas Virgens, Venezuela, México e os Estados Unidos. O único revés aconteceu para o Canadá. Na decisão, a Seleção do técnico Ary Vidal quebrou uma série de marcas e deixou legados: foi a primeira vez que os americanos perderam um jogo de basquete em casa; primeira vez que foi derrotada em uma final no basquete; primeira vez que sofreu mais de 100 pontos diante do seu torcedor; além da perda de uma invencibilidade de 34 partidas oficiais.

“Foi um jogo certamente memorável, não existe uma outra palavra para definir. O marco da trajetória do basquete mundial. Nesse momento nossa equipe demostrou que não era impossível ganhar dos invencíveis. E, naquele momento, nós conseguimos, com muita determinação, a tão sonhada vitória. E o melhor, dentro de casa”, relembra Gerson Victalino.

A equipe dos EUA era formada pelos melhores jogadores que ainda não eram profissionais. No elenco estavam futuros jogadores da NBA: Rex Chappmann, Danny Manning e David Robinson, este último havia sido escolhido no Draft da liga americana pelo San Antonio Spurs e integraria o Dream Team nos Jogos Olímpicos de Barcelona, na Espanha, em 1992.

“A perseverança foi um fator positivo, erámos uma equipe persistente e que entrava em quadra com muita convicção em fazer o melhor. Mesmo diante de uma partida extremamente dura, conseguimos manter foco e discernimento para comemorar o ouro. Posso dizer que tivemos muita maturidade para driblar essa seleção”, completou Gerson.

Um início atormentador. O Brasil perdeu o primeiro tempo por 14 pontos. No segundo tempo a situação piorou e a diferença passou dos 20 no marcador. Foi aí que os jogadores mais experientes chamaram a responsabilidade.

Maury Ponikwar de Souza, um dos poucos jogadores que disputaram as doze edições do Campeonato Nacional, de 1990 a 2001, destacou a equipe e afirmou que quando começou a marcar melhor e a desafiar os americanos, o jogo começou a virar a favor dos brasileiros.

“Quando percebemos estávamos oito pontos na frente. Foi só administrar o placar. Começamos a acertar as cestas na linha de três pontos. Um verdadeiro divisor de águas. A valorização da linha de três fez muita diferença. Nossa equipe se preparou muito para essa conquista, não esperávamos e foi uma surpresa muito boa”, contou o armador.

Muitos momentos chamaram a atenção naquela grande final. O primeiro aconteceu no intervalo. Quando os jogadores voltavam para o segundo tempo, viram que os americanos já preparavam a festa no vestiário. Foi possível ver garrafas de champanhe e bonés e camisetas com a palavra “campeão”.

O outro momento marcante aconteceu após a vitória. A cerimônia de pódio demorou mais de uma hora para começar. O motivo? Não havia o Hino do Brasil no ginásio. A certeza do título era tão grande que não havia sido cogitada em tocar em quadra. A cerimônia seria a primeira, antes das mulheres, pois como no feminino os Estados Unidos venceram o Brasil, eles queriam encerrar os Jogos com o hino deles. Para o momento ser celebrado ao som do "Ouviram do Ipiranga", foi necessário ir ao estádio do futebol buscar o Hino do Brasil.

No site da USA Basketball, a vitória da Seleção Brasileira no Pan de Indianápolis é classificada como uma exibição ofensiva que muitos jamais se esquecerão. E, de acordo com David Robinson, a derrota foi um dos fatores que fizeram os Estados Unidos começarem a repensar a convocação de jogadores. Depois, com o bronze nos Jogos Olímpicos de Seul, na Coreia do Sul, em 1988, a mudança se consolidou: na Olimpíada de Barcelona surgiu o famoso Dream Team, capitaneado pelos astros Michael Jordan, Magic Johnson e Larry Bird.

Além de tudo, o mais importante para o basquete brasileiro foram as mudanças de regras nos Estados Unidos. Lá, eles levam anos para mudar, fazem estudos. A NCAA (basquete universitário americano) não tinha linha de três, após a vitória, no fim de novembro, já haviam feito as alterações.

A data que não irá sair da memória de nenhum amante do basquete, ganhou homenagem com a exposição ‘120 x 115: o Ouro em Indianápolis’. O SESC Consolação, em São Paulo, consagrou essa arte em homenagem ao aniversário de três décadas da emblemática vitória brasileira.

A Confederação Brasileira de Basketball (CBB) parabeniza os atletas e a comissão técnica da seleção brasileira pelos 30 anos da conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987.

Campanha do Brasil
Brasil 110 x 79 Uruguai
Brasil 100 x 99 Porto Rico
Brasil 103 x 98 Ilhas Virgens
Brasil 88 x 91 Canadá
Brasil 131 x 84 Venezuela
Brasil 137 x 116 México
Brasil 120 x 115 Estados Unidos

Delegação do Brasil
André Ernesto Stoffel (11pts), Gerson Victalino (62), Israel Machado Campello Andrade (78), João José Vianna "Pipoka" (23), Jorge Guerra "Guerrinha (55), Marcel Ramon Ponikwar de Souza (187), Maury Ponikwar de Souza (12), Oscar Daniel Bezerra Schmidt (249), Paulo Villas Boas de Almeida (47), Ricardo Cardoso Guimarães "Cadum" (47), Rolando Ferreira Junior (12) e Sílvio Malvezi (6). Técnico: Ary Ventura Vidal. Assistente Técnico: José Medalha.

Classificação final
1º- Brasil; 2º- Estados Unidos; 3º- Porto Rico; 4º- México; 5º- Canadá; 6º- Panamá; 7º- Uruguai; 8º- Venezuela; 9º- Argentina; 10º- Ilhas Virgens.