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18/02/2003 - Zé Boquinha

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Nem todos conhecem José Roberto Lux. Já Zé Boquinha é um dos nomes mais respeitados do basquete brasileiro. Atualmente, o técnico vem fazendo do Unit/Uberlândia o destaque do primeiro turno do Nacional Masculino. A equipe mineira está na liderança invicta do campeonato, com nove vitórias. Com mais de quarenta anos de carreira, Zé Boquinha coleciona títulos em vários estados do país: já conquistou os campeonatos mineiro, goiano, carioca, além do bicampeonato paulista. Agora, luta para acrescentar à vitoriosa carreira o título inédito de campeão do Nacional.
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Como você analisa a participação do Unit/Uberlândia no Nacional?

Estamos passando por um momento ótimo, mas o Nacional é uma competição longa e equilibrada. Muita coisa ainda pode acontecer. Vamos continuar fazendo o nosso trabalho com o pé no chão e sem euforia por estarmos invictos. Queremos alcançar o nosso objetivo, que é ficar entre os oito primeiros e passar para a próxima fase do Campeonato.

Como explicar a invencibilidade do Unit/Uberlândia?

A invencibilidade é uma prova do trabalho sólido que estamos realizando no Unit/Uberlândia. Nosso time tem uma defesa forte e é muito bem estruturado taticamente. Além disso, temos uma equipe bem equilibrada. Cada jogador faz a sua parte com muita competência. O banco de reservas é muito bom e me permite fazer substituições durante todo o jogo.
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Quais são os aspectos positivos e negativos da invencibilidade para o time?

A invencibilidade ajuda a equipe porque aumenta a credibilidade e a auto-estima. O técnico ganha confiança e fica mais fácil trabalhar. Considero o aspecto psicológico do time tão importante quanto a parte tática. Para que a invencibilidade não atrapalhe, precisamos ter em mente que podemos perder em qualquer momento do Campeonato. Por isso, tento preparar os jogadores para a derrota, mantendo a humildade e a tranqüilidade.

Você foi responsável pelo desenvolvimento inicial de equipes como o Universo/Ajax e o ACF/Campos. Fale um pouco deste trabalho.

Eu me considero um desbravador. Em Goiânia, montei o time do Universo/Ajax. Trouxe os alas norte-americanos Kenya Lamont e Dutch Mufasia. Ganhamos a Copa Centro-Oeste e fomos vice-campeões da Super Copa Brasil, conseguindo a classificação para o Nacional de 2001. Depois, fui para o ACF/Campos e estruturei um plano de trabalho de três anos para o time. No primeiro ano, montamos a equipe. No segundo, o objetivo era ganhar o Campeonato Carioca e conquistar a vaga para o Nacional. No terceiro ano, iríamos nos concentrar no Nacional. Mas saí do Campos em 2002, antes de concluir meu trabalho.
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Como você começou sua carreira no basquete?

São 43 anos de carreira no basquete. Comecei como jogador. Sou contemporâneo da geração de ouro do basquete. Estreei com o Wlamir Marques, no XV de Piracicaba, e já joguei com o Rosa Branca e o Amaury Pasos. Também participei da seleção brasileira universitária. Em 1978, era diretor do Campinas T.C. e fui convidado para ser técnico do time de basquete do clube. A partir daí, dirigi várias equipes. Pelos meus dados, são 933 vitórias como técnico.

Quais foram os principais títulos que você conquistou como técnico?

Fui campeão em todos os estados em que dirigi um time. Fui campeão carioca pelo Flamengo, bicampeão paulista pelo Rio Claro, campeão goiano pelo Universo/Ajax e campeão mineiro pelo Unit/Uberlândia. Também fui campeão no Sul-americano e no Pan-americano de Clubes. Só não tive ainda o prazer de ter sido campeão brasileiro.