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04/06/2012 - Franciele Nascimento

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Apesar de ter apenas 24 anos, a ala-pivô Franciele Nascimento já é uma das jogadoras mais experientes da Seleção Brasileira Adulta Feminina, que se prepara para os Jogos Olímpicos de Londres. Entre suas principais participações com a equipe principal estão os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008; o título da Copa América/Pré-Mundial, em 2009; o Campeonato Mundial, em 2010, e, em 2011, o título invicto do Pré-Olímpico das Américas, que classificou o Brasil para as Olimpíadas deste ano. Com tanta experiência, ela é uma das principais jogadoras do técnico Luís Cláudio Tarallo. Para se garantir entre as 12 que vão a Londres, ela não se abateu com a eliminação precoce de seu time, o Hondarríibia-Irun, na Liga Espanhola e iniciou os treinos bem antes da apresentação em Jundiaí (SP). Nada mal para quem, na infância, não queria nem saber de praticar esportes.

Como você começou a jogar basquete?

Comecei a jogar com nove anos, mas eu nunca tive muito interesse por esportes. Um dia, uma professora perguntou quem queria entrar para o time de basquete. Todas as minhas amigas aceitaram o convite e como eu não queria ficar para trás, fui junto. O engraçado é que hoje, de todas as meninas que começaram comigo, eu fui a única que continuei a praticar. Foi uma época muito triste para mim, pois meu pai havia falecido, mas o basquete chegou como um presente. Por isso, hoje dedico qualquer vitória ao meu pai.
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O que a sua família achou de você jogar basquete?

No início, minha mãe não me apoiava muito. Ela achava que esporte era só diversão, não via futuro para mim. Quando surgiu a proposta de ir jogar em Jundiaí, ela não queria deixar eu ir de jeito nenhum. Imagina, filha única sair de casa aos 14 anos. Só depois de muita conversa, ela cedeu. Hoje ela me dá bastante apoio, torce por mim.

Depois de cinco anos treinando em Jundiaí com o Luís Cláudio Tarallo, agora ele volta a ser novamente seu técnico, mas dessa vez na seleção adulta. O que você achou?

Eu sou suspeita para falar do Tarallo. Ele foi meu técnico dos 16 anos, quando estava no juvenil, aos 21. Para mim, até hoje ele foi meu melhor técnico. Ele me conhece muito bem e sempre soube tirar o melhor de mim. Além disso, me identifico muito com o sistema de jogo dele.

E o que você achou quando ele assumiu a seleção?

Sempre considerei o Tarallo um técnico muito bom, e vejo que hoje ele continua usando as mesmas técnicas da minha época em Jundiaí, mas claro que hoje devido a experiência que possui são técnicas muito aprimoradas. Ele está muito empenhado e focado e cobrando o máximo de todo mundo. Ele me conhece e sabe o que pode cobrar e o que eu posso render.
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O grupo das 18 jogadoras está bem forte. Possui atletas de muita experiência mescladas com jogadoras novas que estão sendo desenvolvidas visando 2016. Como você se vê esse grupo?

A seleção realmente está muito forte e todas estão muito empenhadas. Pegamos uma confiança em nós mesmas inabalável. Acho que nunca vi uma seleção tão unida e cada uma fazendo a sua parte em busca do mesmo objetivo. Esse ano, mais do que antes, os sentimentos estão muito a flor da pele. Minha meta nesta fase é poder corresponder e conseguir ficar entre as 12 que vão para Londres.

Sua temporada na Espanha acabou bem antes da apresentação. O que você fez nesse período?

Eu comecei antes minha preparação para me apresentar na seleção. Tive um mês de férias depois que terminou a temporada e aproveitei para ficar com minha mãe em Jacarezinho (PR), minha cidade natal. Mas nem por isso perdi o foco, aproveitei para fazer pilates e academia.

Você atua no Hondarribia - Irún (Espanha). Como foi essa temporada para você?

Não foi muito positiva. Permanecemos na primeira divisão da Liga Espanhola, mas ficamos com a 12ª posição. O Hondarribia estava com uma equipe muito jovem e sem experiência. Além disso, tivemos uma troca de técnico no meio da temporada.
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O que você esta achando dos treinos em Jundiaí?

Os treinos são sendo muito fortes, mas já estamos acostumadas e adaptadas com esse ritmo intenso. Nessa etapa estamos dando bastante ênfase a parte física e já trabalhando a técnica e tática.

Qual sua avaliação sobre os dois jogos amistosos entre Brasil x Chile?

Foram muito bons os amistosos para avaliarmos o que precisa ser melhorado nessa primeira fase de treinamentos, e para quebrarmos o gelo. Tenho certeza que muitos dos erros cometido nesses dois primeiros jogos, não serão cometidos de novo. Toda estreia é assim, e todas as seleções precisam desse processo para chegar bem em uma competição.

O próximo desafio da seleção são os amistosos contra a Austrália. Como você espera que a equipe chegue nesses jogos?

Acho que os amistosos são muito importantes sempre, independente dos adversários, mas é claro que quanto mais alto o nível melhor a preparação. O nosso próximo desafio é contra as australianas, que formam uma seleção de nível olímpico e que vão permitir sabermos como realmente estamos até o momento. Sempre surgem detalhes a serem corrigidos e é visando a quase perfeição que vamos fazer esses amistosos. Queremos entrar na vila olímpica em Londres no dia 23 de julho no auge da nossa forma física, técnica e tática.