Imprensa
25/07/2008 - Claudia Maria das Neves
Como é a sua vida na França?
E bem parecida com a que eu levava no Brasil. Tenho treino duas vezes por dia na quadra em ritmo forte. Gosto do meu técnico, ele é muito bom. A gente treina muito arremesso e ataque, o que é comum na Europa. A musculação é que fica um pouco a desejar, mas isso é padrão em todas as equipes européias.Você sente diferença de treinamento quando chega na seleção?
Sinto um pouco. Na parte técnica não, mas na física sinto bastante. Na França, a gente malha somente uma vez por semana e eu chego na seleção, o trabalho é muito mais intenso. Na última semana de treinamento em São Paulo, tivemos musculação quatro dias. Fico com a musculatura bem fortalecida. Para a próxima temporada francesa, vou insistir para ir à academia pelo menos duas vezes por semana.
Já são seis temporadas na França, sendo que quatro defendendo o Montpellier. Em 2007, foi para o Clermont Ferrand. Como foi a mudança?
Eu cheguei num momento de renovação no Clermont. Do time antigo, só tinha ficado três jogadoras. Até o técnico era novo. Dessa maneira, não me senti deslocada. A grande maioria estava na mesma situação.Este ano foi uma maratona para defender a seleção. Você saiu da França para o Equador, onde disputou o Sul-Americano. Depois foi do Equador para a Espanha, onde garantiu a vaga olímpica. Qual foi a sua motivação para essas viagens?
Quando o Bassul me chamou para a seleção este ano, eu já sabia que ia ser essa loucura. A gente vive num vai-e-vem constante. O campeonato francês termina tarde e quando acaba, temos uma série de questões burocráticas para resolver. Sempre perco uma parte de treinamento da seleção. Mas para chegar bem no Pré-Olímpico, fui para o Equador ganhar entrosamento e ritmo de jogo no Sul-Americano. Apesar de cansativa, a viagem valeu a pena porque depois cheguei bem no Pré-Olímpico de Madri. Acho que a vaga olímpica é motivação suficiente para enfrentar qualquer situação.
Você gosta da rotina da seleção?
Gosto sim. Não é muito diferente do que a gente vive no clube. Há anos faço a mesma coisa. Mas é bom quando tem folga de dois ou três dias, que a gente pode ir para casa. Mesmo com a ótima convivência que temos umas com as outras, é sempre bom ter uns dias longe. Além disso, a nossa casa é sempre melhor que hotel.O Brasil estréia contra a Coréia nos Jogos Olímpicos de Pequim no dia 9 de agosto. Que analise você faz desse jogo e dos outros adversários?
Contra a Coréia, temos que jogar bem com as pivôs dentro do garrafão e trocar bastante na defesa. As coreanas corem muito, o jogo delas é na velocidade e nos arremessos de fora. Nenhum time é imbatível. É claro que Austrália e Rússia são adversários fortíssimos, mas o Brasil já venceu essas duas equipes algumas vezes. O time do Brasil não é o mesmo, mas o campo é neutro e tudo pode acontecer. Acho até bom nós chegarmos desacreditadas. Podemos surpreender a todos.













