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15/06/2005 - Cíntia Silva dos Santos

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A pivô Cíntia Silva dos Santos está de férias no Brasil e trouxe na bagagem os títulos da Copa da Itália e do Campeonato Italiano. Defendendo a tradicional equipe do Famila Schio, a pivô conseguiu se recuperar de uma séria lesão na panturrilha e ajudar a sua equipe a brilhar na temporada. Na fase de classificação, Cíntia apresentou média de 8,4 pontos, 5,5 rebotes. Nos playoffs, teve média de 13,7 pontos, 8,0 rebotes e 35,4 minutos. O Famila Schio fez três a zero na final (melhor de cinco) sobre o Penta Faenza, equipe das brasileiras Adrianinha e Graziane. A boa atuação de Cíntia na temporada garantiu a renovação por mais um ano de seu contrato com o clube. Aos 30 anos, Cíntia fala do atual momento da sua carreira, seus planos para próxima temporada e a expectativa de jogar o Mundial de 2006, no Brasil.
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Como foi a conquista do campeonato italiano?

Foi uma competição difícil, que teve gosto de superação para mim. Tive uma lesão na panturillha no início da temporada que me deixou quatro semanas de fora do campeonato. Fui retornando aos poucos e meu jogo foi melhorando ao longo das partidas. A equipe enfrentou outros casos de contusão, mas conseguimos manter a regularidade na primeira fase e depois conquistar o título. Fiz uma boa participação, principalmente nos playoffs.

Depois de uma temporada na Rep. Tcheca, você voltou para Itália, em um novo time. Como foi a mudança e como avalia sua participação na equipe?

Adoro jogar na Itália. Foi o primeiro país em que joguei logo que saí do Brasil, há sete anos. O clima no time é ótimo e tenho um relacionamento muito bom com o técnico Fábio Fossati, com quem trabalhei no meu primeiro ano na Itália. O Famila Schio é uma equipe tradicional na cidade e investiu bastante nessa temporada, trazendo várias estrangeiras. Além de mim, jogam grandes nomes como a australiana Penny Taylor e a americana Bethany Donaphin. Foi uma ótima experiência. Apesar das contusões, consegui mostrar meu jogo e ajudar a equipe a vencer o Campeonato Italiano e a Copa da Itália.
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Como é a cidade em que mora?

Schio é muito bonita, com 35 mil habitantes e é perto de grandes centros como Milão e Veneza. A cidade respira basquete. O time tem mais de trinta anos, a torcida comparece para apoiar e temos até fã clube. Na final do Campeonato Italiano, o ginásio lotou, com a presença de 3.500 pessoas. A cidade fez uns três dias de festa para comemorar o título e passeamos em carro aberto pelas ruas. Já fiz muitos amigos aqui e é um ótimo lugar para morar e trabalhar.

Qual a sua rotina na cidade?

Os treinos são bastante puxados e quase não sobra tempo para o lazer. Mas me distraio saindo com os meus amigos e gosto de fazer cursos quando possível. Fiz um sobre culinária e quero fazer outros do gênero pois cozinhar é um dos meus hobbies favoritos, ainda mais na Itália, um país com tanta tradição na gastronomia.

Como o basquete feminino é visto na Itália atualmente?

Em qualquer lugar do mundo, o atleta estrangeiro é sempre mais exigido, temos que mostrar que valeu a pena investir no nosso potencial, mas o talento da jogadora brasileira é bem respeitado e reconhecido. Está aumentando o número de jogadoras na Europa, que se destacam em seus clubes. E a final do campeonato italiano contou com a presença de três atletas do Brasil: eu, Adrianinha e Graziane, que defendem o Penta Faenza, vice-campeão italiano. Isso contribui para o reconhecimento do nosso basquete na Europa e no mundo.
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Existem diferenças entre os estilos de jogo do Brasil, República Tcheca e Itália?

Várias. Na Itália, o jogo é mais cadenciado, mais tático, centrado na defesa. As pivôs jogam mais aberto, já atuei até de ala. No Brasil a marca é a velocidade. A República Tcheca mistura um pouco dos dois. Eles valorizam o lado tático, mas apostam no jogo rápido. Conhecer essas diferentes formas de jogar é ótimo para o atleta, principalmente na seleção, pois nos adaptamos melhor ao estilo que cada partida determina.

O que mudou na Cíntia, desde a conquista do Mundial de 1994 até aqui?

Tecnicamente, estou mais atenta na defesa, mais preocupada com os aspectos táticos da partida. Além disso, ganhei mais segurança para os arremessos de média e longa distância. Com trinta anos de idade e tanto tempo fora de casa, a gente ganha maturidade para encarar melhor todos os momentos da vida, bons ou ruins.

Quais são seus planos para a próxima temporada?

Meu contrato com o Famila Schio foi renovado por mais um ano e o próximo compromisso com o clube será a Euroliga, que começa em outubro. É uma competição fortíssima e muito importante no cenário mundial. No ano passado, fiquei em quarto lugar na competição defendendo o Brno, da República Tcheca. Agora, meu pensamento imediato é descansar e me recuperar fisicamente para a Euroliga e estar bem para o Mundial do Brasil no ano que vem.
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Quais suas expectativas para Mundial 2006, no Brasil?

Sediar um Mundial valoriza muito o nosso basquete. Estou animada em defender a seleção em território nacional. Isso dá ao atleta uma motivação a mais. Só que também traz mais responsabilidade. A equipe sediante tem obrigação de fazer bonito em seu país. Temos talento suficiente para lutar pelo pódio e as nossas maiores adversárias serão os Estados Unidos, Austrália, Rússia e a República Tcheca, que evoluiu muito nos últimos anos.